Viagem sob controle total

28.09.2026

Antes de chegarem aos mercados da América do Sul, as maçãs provenientes dos pomares europeus percorrem milhares de quilômetros. A organização dessa viagem começa muito antes da partida do navio e inclui a preparação adequada das frutas, o transporte até o porto, a travessia oceânica, o desembaraço aduaneiro de importação e a entrega da remessa ao destinatário. E cada uma dessas etapas exige a cooperação de produtores, exportadores, empresas de transporte, operadores portuários, armadores, importadores e órgãos de fiscalização competentes.

Preparo das maçãs para o transporte

As maçãs destinadas à exportação são colhidas no estágio adequado de maturação, levando em conta o tempo previsto de armazenamento e transporte. Em seguida, são classificados e submetidos a um controle de qualidade. Durante a classificação, são avaliados, entre outros aspectos, o tamanho, a coloração, a firmeza e o estado da casca. As maçãs selecionadas para um determinado lote devem atender aos requisitos de qualidade estabelecidos para cada pedido específico e para o mercado de destino.

As frutas são acondicionadas em embalagens que as protegem contra danos mecânicos e permitem a circulação adequada do ar. Os lotes também são identificados de acordo com os requisitos aplicáveis, o que permite identificar, entre outros dados, o produto, sua origem e a empresa responsável pelo acondicionamento ou pela expedição.

Condições controladas de transporte

No transporte de longa distância, as maçãs são geralmente transportadas em contêineres refrigerados. A temperatura e os demais parâmetros são definidos de acordo com a variedade, o estado dos frutos, o modo como foram armazenados anteriormente e o tempo previsto de transporte. O objetivo é manter condições o mais estáveis possível e preservar a continuidade da cadeia de frio. A redução das variações de temperatura ajuda a retardar os processos naturais de amadurecimento e a diminuir o risco de perda de qualidade das frutas.

Em alguns transportes, podem ser utilizados contêineres com atmosfera controlada. Elas permitem regular não apenas a temperatura, mas também a concentração de oxigênio e dióxido de carbono, bem como a renovação do ar. Parâmetros adequadamente definidos retardam a respiração das frutas e ajudam a preservar sua firmeza por mais tempo. No entanto, o uso dessa tecnologia depende da variedade das maçãs, da duração da rota, das recomendações de especialistas e das condições acordadas com o transportador e o destinatário.

Da câmara frigorífica ao porto e ao navio

Após o preparo da carga, o contêiner segue para o porto – geralmente por transporte rodoviário ou intermodal*. No caso do transporte refrigerado, é fundamental minimizar as interrupções no fornecimento de energia aos equipamentos e monitorar as condições durante as operações de transbordo e a espera pelo embarque. Após o carregamento no navio, o contêiner é conectado à fonte de alimentação de bordo. Os parâmetros de funcionamento são verificados de acordo com os procedimentos do armador.

A rota é planejada levando-se em consideração os horários dos navios, a disponibilidade de espaço a bordo, eventuais transbordos, o tempo necessário para o desembaraço e as possibilidades de transporte subsequente após a chegada ao porto de destino. Uma coordenação eficiente ajuda a reduzir as paradas e a minimizar o risco de interrupções nas condições de transporte.

Requisitos fitossanitários e de importação

A exportação de maçãs frescas da União Europeia para a América do Sul é realizada de acordo com os requisitos do país importador. O Brasil e a Colômbia têm suas próprias normas relativas à importação de frutas frescas. Elas abrangem, principalmente, os requisitos fitossanitários, cuja finalidade é proteger as culturas locais contra pragas e doenças. Por isso, as maçãs destinadas à exportação devem atender a determinadas condições antes mesmo de saírem da Europa.

Na prática, isso significa, entre outros aspectos, a inspeção adequada dos lotes, a preparação da documentação exigida e a comprovação da origem e da rastreabilidade das frutas. Dependendo do mercado específico, também podem ser exigidas informações adicionais no certificado fitossanitário, uma identificação específica nas embalagens ou procedimentos adicionais relacionados à importação.

Inspeção no país de destino

Após a chegada ao porto, a carga é submetida aos procedimentos aduaneiros e fitossanitários. Os órgãos competentes podem verificar a documentação e a identificação, realizar uma inspeção física das frutas ou coletar amostras, dependendo dos procedimentos aplicáveis e da avaliação de risco.

Somente após a conclusão das formalidades exigidas e a liberação da carga para importação, as maçãs podem ser entregues ao destinatário. Em seguida, são encaminhados para armazéns, centros de distribuição, atacadistas ou redes de varejo. Nas etapas seguintes, também é importante manter condições adequadas para as frutas frescas.

Logística do frescor

A longa viagem das maçãs não é um simples transporte de mercadorias. É um processo cuidadosamente planejado, que combina o conhecimento dos produtores, modernas tecnologias de armazenamento, transporte refrigerado, monitoramento de parâmetros e a cooperação entre exportadores, agentes de carga, armadores e órgãos de fiscalização.

Graças a isso, as maçãs europeias podem atravessar o oceano e chegar aos consumidores do Brasil e da Colômbia em perfeitas condições — firmes, crocantes e cheias de sabor. É a verdadeira logística do frescor, planejada nos mínimos detalhes.

*O transporte intermodal consiste no transporte da mesma carga por pelo menos dois meios de transporte diferentes, por exemplo, caminhão, trem e navio. A mercadoria permanece na mesma unidade de carga — geralmente um contêiner. Na mudança do meio de transporte, todo o contêiner é transferido, sem que os produtos nele acondicionados — neste caso, as maçãs — sejam retirados.